quinta-feira, 22 de maio de 2008

rompendo amarras

Primeira intervenção
Até quando mulheres deste tempo de século recém nascido, continuarão sua saga de lamúrias, chororôs e culpas, gerando e gestando dominadores, dúbios, insaciáveis algozes? Até quando mulheres de todos os cantos continuarão se comportando como vítimas de destinos alheios, subterrâneas à vida pública, submersas em cotidianas repetições, rotinas, sistemas de manutenção de destinos alheios?
Assumir o protagonismo de sua existência expõe chagas, equívocos, dá direito ao erro, ao recomeçar, ao refazer-se de um novo jeito. Ousar-se humanamente, é uma forma de fazer-se nova. esta incômoda ousadia permite às mulheres o descobrir a forma masculina de descobrir-se humana. enquanto isso, cabe aos humanos homens, sentir-se incômodos no novo papel que ora peregrinam. Deixar de lado o protagonismo, sentir-se espectadores do cotidiano alheio. Permitir-se descobrir uma nova forma de sentir mais que fazer.
Estes são novos seres de um novo milênio que agora descortinamos. Impõe ansiedades, angústias, sensações desagradáveis de uma instabilidade repleta de medos.

enquanto as alianças feitas forem impregnadas pelas másculas disputas de território, pouco ou nada avançamos na construção da nova ordem. a mesquinhez humana elevada à enézima potência que ignora afeto, sentimentos, vivências, cumplicidade de ações e pensamentos, pouco teremos avancado na nossa tarefa terrena.

porque esta necessidade de projetar-se no outro, depositar no fora necessidades pessoais, criarmos ilusões ao invés de vivermos nossas fantasias. tudo que é sólido desmancha no ar, enquanto nossas fantasias tem o sabor do desconhecido esperando para ser desvendado, construído.

esta dor tamanha que nada tem de material corresponde ao tamanho das ilusões projetadas....é preciso mergulhar fundo, desvendar amarras, descortinar os sentimentos que se misturam, se embolam.
posted by Ana Terra, o passado condena @ 10:23 AM

terça-feira, 20 de maio de 2008

Limites claros, filhos dignos e saudáveis


Não pairam dúvidas sobre a necessidade de fechar a porta de casa quando se entra ou sai à rua, tampouco sobre a necessidade de demarcar as fronteiras de nossas propriedades ou de nosso país. Porque, então é tão constrangedor aos pais delimitarem as liberdades aos filhos? Frequentemente tornamo-nos permissivos por constrangimento, complacentes com os riscos, omissos na hora de agir. Muitas são as imagens que nos afirmam, no senso comum, que pai e mãe bom é aquele que diz sempre sim!


Ledo engano! Para sermos pais decentes, presentes, indispensáveis, cabe o discernimento de fazer escolhas para garantir o desenvolvimento saudável de nossa prole. Muitas são as vezes que a maior expressão do amor pelos filhos se expressa pelo não! dito de forma singela mas firme. Sem possibilidade de outras negociações. Trocar o não! pelo sim... só para fugir da insistência do filhote expõe uma centena de coisas e acaba por demonstrar insegurança e, pior que tudo, negligência. Isto, de forma alguma, significa que diante de uma argumentação bem feita, não possamos rever nossa decisão. Ceder à birra, à batida de pé, à manha não os ajuda a crescer e demonstra pais em ação imatura, oferecendo ao filho a eterna imaturidade.


Os pais, na verdade, enfrentam-se, através dos desafios propostos pelos filhos, todo dia, o dia todo, nesta colcha de retalhos que o cotidiano nos oferece na tarefa de 'educar' seres para o terceiro milênio, uma série de escolhas nem sempre fáceis ou explícitas a fim de garantir o desenvolvimento tranquilo e saudável dos guris. Seja no pedido da bala antes do almoço, seja para ficar na rua por mais tempo, seja para ir para a casa do amigo, seja para ver televisão por mais tempo, todas são confrontações que levam à construção de conceitos para o resto da vida. Devemos guardar os 'nãos' para o que nos é importante, sem, com isto, perder a capacidade de revisarmo-nos... Permitir que o filho exercite sua capacidade de argumentação, que apreenda a buscar razões que fundamentem sua necessidade é a forma de garantir a construção de cidadãos corretos, dignos do pleno exercício da cidadania e dos direitos humanos.


Não encompride o assunto além da sua decisão, mas permita que ele volte sempre a questionar... Dê o assunto por encerrado, mas mostre-se aberto ao debate. Afinal é neste ir e vir que a vida anda à frente. Amadurecer, no sentido humano da expressão, é tornar-se capaz de avaliar alternativas e fazer opções, experimentar o livre arbítrio através da segurança de pais coerentes.


Os adultos, com frequência, têm muita dificuldade de valorizar a diferença de opiniões, mas vale ressaltar que é na confrontação de idéias que a roda do mundo gira e anda. Outra confusão que acontece muitas vezes é a de, diante das dificuldades de argumentação de quem tem o poder familiar, impor a decisão pelo uso da força física ou psicológica, numa sessão de palmadas, por exemplo. Elas demostram com clareza o quanto faltam argumentos para defender a decisão. Outras vezes, o subterfúgio da chantagem é que ganha espaço, fazendo trocas inescrupulosas. Por outro lado, é preciso desenvolver o sentido de responsabilidade diante das escolhas, tanto nos pais quanto para os filhos, a fim de exercitar o senso de justiça.

Tornar-se pai ou mãe de uma prole saudável exige maturidade, discernimento e compromisso com o outro, mais que tudo... e isto espera presença, capacidade de olhar o mundo com disponibilidade e inteireza. Nenhum destes produtos morais estão à venda nos shoppings center da vida!




*Ana Elusa Rech é membro da Nossa Casa e trabalha com a defesa de Direitos Humanos, especialmente de mulheres, crianças e adolescentes.


Coisas do amor maior


Se não há sentimento mais doce

se não há sentimento mais transformador

se não há sentimento mais indispensável

se não há sentimento algum que o substitua


porque tua simples ausência dói tanto?


Como pode um corpo maduro,

sentir-se adolescente na inquietação

no vibrar do corpo, na ânsia de sentir a vida

pulsante, transformadora!


Na verdade, extrais de mim o que de melhor e pior possuo!

O sentir sem freio, sem limite, sem constrangimento...